Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Os tumores malignos do pescoço podem ser primitivos (quando tem a origem no próprio pescoço) ou secundários (metastáticos, ou seja, que surgiram em outros órgãos e se disseminaram para o pescoço.) Qualquer tecido presente no pescoço pode originar um tumor, principalmente na faringe, laringe e tireóide (colocar link). Há outros tipos de tumores específicos na região do pescoço:

Linfoma de Hodgkin.
 
Trata-se de um tumor maligno originado no tecido linfático. Ele possui um crescimento lento, indolor, podendo gerar febre e perda de peso. Os linfonodos (os “caroços”, também conhecidos como ínguas) tem forma assimétrica, tornando-se parecidos com um “cacho-de-uvas” São dotados de uma superfície lisa e com limites definidos.
 
Linfoma de não-Hodgkin.
 
São linfonodos mais evoluídos, com formas simétricas no pescoço podendo atingir cadeias linfáticas não-relacionadas. Atinge e prejudica o tecido linfático do pescoço, apresentando infiltrações ou lesões nodulares submucosas com cor vermelha ou vinho. Podem estar distribuídos nos dois lados do pescoço, com uma consistência dura, fixa e indolor com infiltração para o tecido celular subcutâneo e pele.Carcinoma Espinocelular

Mais de 90% dos cânceres de boca e garganta, são carcinomas de células escamosas, também chamados de carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermóides. Tratam-se de células escamosas achatadas, que normalmente revestem a cavidade bucal e a garganta. A forma inicial do carcinoma de células escamosas é chamada de carcinoma in situ, isto é, o câncer só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio, e não invade as camadas mais profundas. Um carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da cavidade bucal e da orofaringe.
 
Carcinoma Verrugoso.
 
O carcinoma verrugoso é uma variante do carcinoma espinocelular que responde por menos de 5% dos tumores da boca. É um câncer de baixa agressividade, que raramente produz metástases, mas que pode se espalhar profundamente pelos tecidos vizinhos. A remoção cirúrgica do tumor com boa margem de tecidos ao redor, é recomendada nesses casos.

Quais são os fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço?

DOENÇAS DA TIREÓIDE

Bócio

Corresponde a um conjunto de doenças da glândula tireóide que se caracterizam por um aumento perceptível no tamanho desta glândula.

Como a tireóide se localiza na parte anterior e inferior do pescoço, é nesta região que as pessoas irão observar este aumento, que pode envolver toda a tireóide (aumento difuso, bócio difuso) ou provocar a formação de um ou mais nódulos (caroços).

 
O aumento da tireóide pode se acompanhar de excesso (hipertireoidismo) ou redução de seu funcionamento (hipotireoidismo). Estas alterações podem ser decorrentes de doenças hereditárias (herdadas da família), auto-imunes, carência de iodo, ou tumores benignos e malignos. Predominam em mulheres dos 20 aos 40 anos e, em geral, necessitam de investigação diagnóstica e tratamento adequados.
Dependendo de sua causa, o aumento da tireóide pode ser devido a:
 
# Falta de iodo na dieta, como ocorre em regiões carentes deste elemento no meio ambiente, especialmente em regiões de cerrado e montanhosas.
 
# Doenças familiares decorrentes de defeitos nas diversas etapas de síntese dos hormônios.
 
# Doenças auto-imunes, nas quais se desenvolvem anticorpos contra a glândula. Estes anticorpos podem bloquear ou estimular a produção de hormônios.
 
 
# Proliferação dos folículos da glândula, formando o chamado bócio colóide.
 
# Tumores benignos, cuja origem é desconhecida.
 
# Tumores malignos, que podem apresentar vários tipos de acordo com sua constituição. Alguns tipos de tumores malignos podem ser familiares e outros estão associados a exposição à radiação.


Os sintomas decorrentes do bócio ocorrem por seus efeitos locais ou pelas manifestações clínicas associadas ao excesso ou diminuição na produção hormonal, caracterizando o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.


Sintomas locais incluem a dificuldade para engolir alimentos, a dificuldade respiratória, principalmente quando se elevam os dois braços simultaneamente, a tosse irritativa, a rouquidão, a voz com duas tonalidades e a dilatação das veias do pescoço.


Sintomas gerais são decorrentes do excesso ou diminuição dos hormônios da tireóide ( Hipertireoidismo e Hipotireoidismo).


O médico faz o diagnóstico colhendo a história clínica do paciente e realizando o exame clínico completo, incluindo a palpação do pescoço e da região onde se observa o aumento de volume. No exame geral, são detectados os sinais de hipo ou hipertireoidismo. A partir destas observações, podem ser realizados exames de confirmação que incluem a dosagem dos hormônios da tireóide (T3 e T4), o hormônio que controla a tireóide (TSH), os anticorpos antitireóide (antiTPO, antimicrossomais, antitireoglobulina, TRAB), a ultra-sonografia da região cervical e a cintilografia de tireóide. Podem ser importantes também radiografias da região cervical e provas de função pulmonar no sentido de detectar a extensão da restrição respiratória.

 
Nos casos em que se suspeita de tumores de tireóide, pode ser necessária a realização de Punção Aspirativa por Agulha Fina ( PAAF - puncionar o nódulo da tireóide com uma agulha especial) na região em que se observa o aumento da tireóide.


Dependendo da causa, o tratamento envolve medicamentos para controlar o excesso ou a diminuição do funcionamento da tireóide. Nos casos de suspeita de tumores da tireóide, está indicada a cirurgia de retirada da tireóide. Após a cirurgia, o paciente deve ser avaliado para presença de resquícios do tumor e se os mesmos existirem, receber tratamento com iodo radioativo. Nos casos de bócio com manifestações de compressão de estruturas do pescoço, está indicada também a cirurgia de retirada da região em que ocorre o aumento de volume. Após a cirurgia, o paciente deve ser avaliado, no sentido de se verificar se o mesmo necessita ou não de reposição hormonal para evitar o hipotireoidismo.

CÂNCER DE LARINGE



A laringe é um órgão localizado abaixo da garganta e é onde se localizam as cordas vocais, estruturas responsáveis pela voz.


O câncer de laringe pode se localizar acima das cordas vocais (supraglótico), na porção onde se localizam as cordas vocais (glótico) ou abaixo, no início da traquéia (infraglótico). Ele pertence ao grupo de tumores a que se dá o nome de Cânceres de Cabeça e Pescoço.
Este câncer é, na maioria das vezes do tipo epidermóide ou escamoso, ou seja, são as células que revestem a laringe que sofrem alterações e se tornam malignas.
O que causa o câncer de laringe?


Os principais fatores de risco para este tipo de câncer são o fumo (de qualquer tipo) e o uso abusivo de bebidas alcoólicas.

 
Sinais e Sintomas

 
O principal sintoma deste tumor é a rouquidão. Nas pessoas que já tem a voz mais rouca, a piora deste sintoma ou a modificação da voz pode indicar alguma alteração nas cordas vocais, alteração esta que pode estar relacionada a este câncer. Pode vir acompanhado de dor no ouvido, tosse persistente, dificuldade ou dor para engolir e gânglios (linfonodos ou ínguas) aumentados na região lateral do pescoço (quando se considera avançado localmente).

Diagnostico

 
Quando uma pessoa sente um dos sintomas acima, principalmente se é fumante e usa regularmente bebidas alcoólicas, deve procurar um médico de sua confiança. Este médico fará um exame físico de sua garganta (por dentro) e do seu pescoço.


Se o médico achar necessário, ele fará uma laringoscopia - exame no qual se coloca um espelho ou um aparelho de endoscopia próprio para a garganta para ver alguma alteração que explique o que o paciente está sentindo. Caso alguma alteração seja encontrada, uma biópsia (retirada de um pequeno pedaço do revestimento da laringe ou da lesão) será realizada para poder fazer um exame mais detalhado em um laboratório de patologia (Exame anátomo-patológico).


Se o diagnóstico de câncer for confirmado, o médico encaminhará o paciente para um local onde se tratam pacientes com câncer e mais exames serão realizados para se avaliar a extensão da doença (exames de estadiamento). Estes exames podem incluir tomografias computadorizadas e exames de sangue.


Tratamento

 
O tratamento depende de vários fatores, tais como: a extensão da doença (se espalhou-se para os gânglios do pescoço ou outros órgãos), a localização do tumor, a agressividade das células malignas, a idade e condições de saúde do paciente.


O tratamento tem sempre o objetivo de evitar cirurgias que retirem toda a laringe, porque isso leva o paciente a não poder mais falar normalmente. Os tratamentos mais comumente usados são cirurgias parciais, radioterapia e quimioterapia concomitante (ao mesmo tempo) ou em sequência. O tumor é examinado após o tratamento para confirmar que desapareceu. Neste caso, não é necessário fazer a cirurgia de retirada do órgão e o paciente continua a falar de forma natural. Caso o tumor não desapareça, ou volte, ainda assim pode-se fazer uma cirurgia para retirar o tumor e neste caso, na maioria das vezes, a laringe com as cordas vocais são retiradas e o paciente não pode mais falar por via natural. Aparelhos são desenvolvidos para o paciente se comunicar e isso é importante para a manutenção da qualidade de vida do paciente e de sua vida social.

 
Continuar fumando e bebendo bebidas de álcool durante e após o tratamento diminui a chance de cura, além de aumentar a chance de o tumor voltar ou de ter outro câncer na região da cabeça e pescoço ou de outra parte do corpo.

 
Se o câncer é bem inicial e não se espalhou para os gânglios do pescoço e nenhum outro local do corpo a chance de cura após o tratamento pode ser de até 95%. Para a maioria dos pacientes, nos quais o câncer volta, isso acontece nos primeiros 2 a 3 anos após o tratamento e, raramente o tumor volta após 5 anos.

DOENÇAS DAS GLÂNDULAS SALIVARES

 
As glândulas que produzem a saliva são as parótidas, as sub-mandibulares, as sub-linguais e as glândulas salivares menores. Estão localizadas, aos pares, ao redor da face e no interior da cavidade bucal e faringe no espaço abaixo da mucosa de revestimento destas cavidades.

As doenças das glândulas salivares se dividem em:
 
inflamatórias
 
obstrutivas e tumorais.

As doenças inflamatórias são causadas por:
 
Vírus (cachumba como o mais comum),
 
Obstrução nos ductos de drenagem destas glândulas por cálculos,
 
Alguns tipos de reumatismo,
 
Estados de desidratação intensa (a água é a base da formação da saliva)


As doenças tumorais representam raridade (3% de todos os tumores) e ocorrem em 80% das vezes nas glândulas salivares maiores, com maior predileção pelas glândulas parótidas. Dos tumores que afloram na parótida, 80% são benignos, e das glândulas salivares menores só 50% são benignos.


Sinais e Sintomas


Os sintomas mais comuns das doenças inflamatórias são:
 
O aumento de volume,
 
A dor local,
 
A pele avermelhada e a saliva oriunda desta glândula purulenta e/ou espessa.


O início é, geralmente, abrupto e pode haver comprometimento dos nervos vizinhos (paralisias). As infecções virais acometem o nervo com maior freqüência (principalmente o herpes vírus)
Os tumores benignos manifestam-se com aumento lento de volume, que pode durar meses ou anos.
Quando nos deparamos com tumores invasivos, pode ocorrer paralisias dos nervos por invasão direta, nódulos linfáticos regionais aumentados e/ou metástases à distância.

 
Tratamento


O tratamento das inflamações é restrito à causa:
 
A retirada dos cálculos salivares,
 
A correta rehidratação,
 
Uso de anti-inflamatórios ou de antibióticos que são efetivos em pequeno período de tempo.
No caso de lesão tumoral, o melhor tratamento é a retirada do tumor com a preservação, se possível, dos nervos das regiões operadas.

Em alguns casos, a radioterapia complementar se faz necessária.
Para os casos com metástases pode haver necessidade de quimioterapia combinada ao tratamento prévio.




 

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Medicina